«Agora vou contar-te o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos ...» Saint-Exupéry, O Principezinho
domingo, 31 de outubro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
Qual a Especificidade do Ser Humano?
Mark Rowlands em «O Filósofo e o Lobo» (2009, Ed. Lua de Papel, P. 15-16) escreve:«Este livro é também sobre o que significa ser humano - não enquanto entidade biológica mas enquanto ser que consegue fazer coisas que nenhum outro ser consegue. Nas histórias que costumamos contar sobre nós próprios, as características únicas que possuímos repetem-se como refrãos. Para uns, elas assentam na capacidade de criarmos civilização, e de assim nos protegermos da natureza, selvagem e perigosa. Para outros, é o facto de sermos os únicos seres capazes de distinguir o bem do mal e logo os únicos capazes de ser bons ou maus. Há quem diga também que somos únicos porque raciocinamos; somos animais racionais sozinhos num mundo de animais irracionais. Depois, há os que acham que é o uso da linguagem que definitivamente nos separa dos animais. E os que afirmam que somos únicos porque temos livre-arbítrio. Ou os que acreditam que a nossa singularidade assenta no facto de sermos os únicos com capacidade de amar. Ou que somos os únicos com capacidade para compreender a natureza e os fundamentos da verdadeira felicidade. Ou que somos únicos porque conseguimos ter a noção de que vamos morrer um dia.
Não acredito que alguma destas histórias consiga criar um abismo categórico entre nós e os outros seres. Há coisas que achamos que eles não conseguem fazer, mas até conseguem. E há coisas que achamos que conseguimos fazer, mas até nem conseguimos. Quanto ao resto — bem, diria que é sobretudo uma questão mais de grau do que de espécie. A nossa singularidade baseia-se simplesmente no facto de contarmos estas histórias — e, mais importante, no facto de acreditarmos nelas. Se eu quisesse definir os seres humanos numa única frase, esta serviria: os seres humanos são os animais que acreditam nas histórias que contam acerca deles próprios. Os seres humanos são animais crédulos.»
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domingo, 24 de outubro de 2010
Conhece-te a ti próprio
Imagem em: http://pensar-se.blogspot.com/ O «Conhece-te a ti próprio» nasceu da vontade de servir a grande finalidade da disciplina de Psicologia B. Segundo o programa desta disciplina, «(...) a grande finalidade da disciplina de Psicologia é o desenvolvimento dos saberes, das atitudes,das capacidades e das competências necessários a um melhor conhecimento de si próprio e da sua relação com os outros e com o mundo»( Programa de Psicologia B, Ministério da Educação, p.4).
O Conhece-te a ti mesmo constitui a pedra angular da filosofia socrática. Não é minha intenção «psicologizar» o lema délfico, no entanto, parece-me que não há melhor expressão para traduzir a necessidade de o homem se colocar a claro consigo próprio, num exame e numa descoberta constantes de si mesmo. O desafio está lançado ... agora falta a coragem ou a serenidade para levar a cabo este empreendimento.
Quem somos nós?
O que somos?
Como chegamos a ser quem somos?
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